Após os líderes do PT e PMDB oficializarem em nota nesta quarta-feira um acordo para as eleições de 2010, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), cotado para concorrer à vice-presidência numa possível chapa do governo com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que, primeiro, é preciso ouvir as reivindicações dos estados. A aliança entre os partidos foi alinhavada em um jantar no Palácio da Alvorada na noite desta terça-feira, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Hoje ainda é o primeiro dia (da aliança PT-PMDB). Estamos no começo do curso. Temos de resolver as questões estaduais, buscar um consenso. A vice será do PMDB, mas o nome se define no momento em que se define a chapa”, afirmou o presidente.
Temer disse que uma comissão será criada com a participação do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e a presidente em exercício do partido, a deputada Íris de Araújo (GO), para tratar do assunto. Apesar de não falar em nomes, Temer disse ter certeza de uma coisa: quer que o partido participe ativamente da campanha e do programa de governo.
“O PMDB é um partido forte e significativo que quer participar do programa do governo, participar da formulação programática e da campanha. Ter uma posição ativa, não ser um mero figurante”, disse Temer.
Companheiro de partido, o presidente do Senado, José Sarney (AP), disse que Temer tem qualidades para ser um bom candidato, mas que ainda é cedo para se falar em nomes.
“Esse é um assunto a ser discutido depois. Não podemos nos precipitar antes de ouvir as bases”, comentou Sarney.
Simon rejeita aliança
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou, em nota, o acordo entre os dois partidos. Para o parlamentar, as bases do PMDB em todo o país desejam uma candidatura própria em 2010.
“As bases não foram consultadas e nos encontros estaduais realizados este ano, a expressiva maioria do partido optou pela candidatura própria em 2010”, declarou Simon, por meio de nota.
O peemedebista disse também que, apesar de ser maior partido do país, o PMDB tem servido de linha auxiliar dos governos.
“Esse grupo que comanda o PMDB nacional é o mesmo que estava com o governo de Fernando Henrique Cardoso", desabafou Simon, fundador do partido, para quem os dirigentes “não estão à altura da dignidade da base partidária.”
Da Agência O Globo
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
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