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sábado, 24 de outubro de 2009

PSDB testa chapa pura em pesquisa e aborrece Aécio

Pesquisa feita pelo Ibope por encomenda do PSDB testou, pela primeira vez, o poder de fogo da decantada chapa puro sangue do tucanato.

Num dos cenários pesquisados, José Serra foi acomodado na cabeça da chapa do PSDB. Aécio Neves, na vice.

Segundo o Ibope, a dupla tucana prevaleceria sobre a dobradinha encabeçada por Dilma Rousseff (PT-PMDB) por 41% contra 16%.

Em vez de produzir festejos, a suposta dianteira de 25 pontos percentuais resultou em crise. Aécio Neves, que recusa o papel de vice, abespinhou-se:

“O PSDB não tem minha autorização para fazer pesquisa incluindo meu nome como candidato a vice-presidente”, disse o governador de Minas.

Aécio acrescentou: “Isso seria desperdício de dinheiro, porque essa hipótese não existe”.

Levou a reclamação aos ouvidos do presidente do partido, Sérgio Guerra (PE). Enxergou no vazamento dos dados um cheiro de queimado.

Uma tentativa de empurrá-lo para a vice num instante em que mede forças com Serra para ser o titular.

Informada acerca do curto-circuito, a turma de Serra apressou-se em informar que o governador paulista também foi surpreendido. E nada teria a ver com o vazamento.

Para complicar, a mesma pesquisa do Ibope informa que a presença de Aécio na chapa de Serra seria irrelevante.

Num cenário em que aparece sozinho, Serra obtém os mesmos 41% atribuídos à chapa que traz Aécio na vice.

Dilma, segundo o Ibope, teria nesse cenário 17% das intenções de voto. Estaria tecnicamente empatada com Ciro Gomes, com 16%.

Marina Silva beliscaria 9% da preferência do eleitorado. Num terceiro cenário, testou-se o prestígio de Aécio como cabeça de chapa.

Nessa hipótese, segundo o Ibope, Ciro escalaria o primeiro lugar, com 26%. Aécio empataria com Dilma na segunda colocação —19% para ambos.

Marina conservaria a quarta colocação, dessa vez com 11%. Na pesquisa de setembro, o Ibope atribuíra a Aécio 12%. Teria crescido, portanto, sete pontos percentuais.

Em pregação diuturna, Aécio advoga a tese de que o PSDB não deve guiar-se apenas por pesquisas na hora em que for optar entre ele e Serra.

Argumenta que o mais importante não é a marca de largada, mas a capacidade de crescimento futuro.

Aécio afirma que é menos conhecido do que Serra. Suas taxas de rejeição também seriam menores.

De resto, considera-se capaz de agregar à caravana oposicionista outros partidos além dos já compromissados DEM e PPS.

O diabo é que, antes de atrair novos aliados, o PSDB, agremiação de amigos integralmente composta de inimigos, terá de agregar-se a si própria.

Escrito por Josias de Souza

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