Pesquisa feita pelo Ibope por encomenda do PSDB testou, pela primeira vez, o poder de fogo da decantada chapa puro sangue do tucanato.Num dos cenários pesquisados, José Serra foi acomodado na cabeça da chapa do PSDB. Aécio Neves, na vice.
Segundo o Ibope, a dupla tucana prevaleceria sobre a dobradinha encabeçada por Dilma Rousseff (PT-PMDB) por 41% contra 16%.
Em vez de produzir festejos, a suposta dianteira de 25 pontos percentuais resultou em crise. Aécio Neves, que recusa o papel de vice, abespinhou-se:
“O PSDB não tem minha autorização para fazer pesquisa incluindo meu nome como candidato a vice-presidente”, disse o governador de Minas.
Aécio acrescentou: “Isso seria desperdício de dinheiro, porque essa hipótese não existe”.
Levou a reclamação aos ouvidos do presidente do partido, Sérgio Guerra (PE). Enxergou no vazamento dos dados um cheiro de queimado.
Uma tentativa de empurrá-lo para a vice num instante em que mede forças com Serra para ser o titular.
Informada acerca do curto-circuito, a turma de Serra apressou-se em informar que o governador paulista também foi surpreendido. E nada teria a ver com o vazamento.
Para complicar, a mesma pesquisa do Ibope informa que a presença de Aécio na chapa de Serra seria irrelevante.
Num cenário em que aparece sozinho, Serra obtém os mesmos 41% atribuídos à chapa que traz Aécio na vice.
Dilma, segundo o Ibope, teria nesse cenário 17% das intenções de voto. Estaria tecnicamente empatada com Ciro Gomes, com 16%.
Marina Silva beliscaria 9% da preferência do eleitorado. Num terceiro cenário, testou-se o prestígio de Aécio como cabeça de chapa.
Nessa hipótese, segundo o Ibope, Ciro escalaria o primeiro lugar, com 26%. Aécio empataria com Dilma na segunda colocação —19% para ambos.
Marina conservaria a quarta colocação, dessa vez com 11%. Na pesquisa de setembro, o Ibope atribuíra a Aécio 12%. Teria crescido, portanto, sete pontos percentuais.
Em pregação diuturna, Aécio advoga a tese de que o PSDB não deve guiar-se apenas por pesquisas na hora em que for optar entre ele e Serra.
Argumenta que o mais importante não é a marca de largada, mas a capacidade de crescimento futuro.
Aécio afirma que é menos conhecido do que Serra. Suas taxas de rejeição também seriam menores.
De resto, considera-se capaz de agregar à caravana oposicionista outros partidos além dos já compromissados DEM e PPS.
O diabo é que, antes de atrair novos aliados, o PSDB, agremiação de amigos integralmente composta de inimigos, terá de agregar-se a si própria.
Escrito por Josias de Souza
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