Não poderia haver pior notícia para Jarbas Vasconcelos - às vésperas de tomar uma decisão sobre se deve ou não ser candidato a governador pelos partidos de oposição - do que a desistência de Guilherme Coelho de se candidatar a uma vaga na Câmara Federal. Guilherme é ex-prefeito de Petrolina e iria disputar o mandato em lugar do pai, Osvaldo Coelho, que teve dez mandatos parlamentares consecutivos e na última eleição foi rebaixado à condição de suplente da bancada do PFL.
A saída de Guilherme do processo foi um golpe mortal na candidatura do senador e também nas pretensões do DEM de eleger quatro deputados federais. É que o partido já tinha uma chapa débil composta apenas por André de Paula (reeleição), Mendonça Filho, Augusto Coutinho e Tony Gel e sem a presença do ex-prefeito dificilmente elegerá mais de dois. O clã sempre teve um representante na Câmara Federal desde a década de 50 e agora em 2010 não lançará sequer um candidato.
Para se ter idéia da gravidade desta desistência, em todo o sertão pernambucano, que vai de Arcoverde a Petrolina compreendendo um raio de 56 cidades, o DEM não tem sequer um candidato a deputado estadual ou federal. O único que as oposições têm é Emanuel Bringel (PSDB) e mesmo assim quase decidido a apoiar a reeleição do governador Eduardo Campos tanto por laços de parentesco (sua mãe era prima de Miguel Arraes) como por falta de vontade para fazer oposição.
Petrolina 1 – O argumento que Guilherme Coelho (DEM) apresentou para não ser mais candidato – falta de tempo para conciliar a política com a gestão de suas empresas – não convence porque há 60 anos os “Coelhos” sempre foram políticos e empresários.
Petrolina 2 – Sem Guilherme no páreo, Fernando Bezerra Filho (PSB) e Gonzaga Patriota (PSB) vão aumentar seus votos em Petrolina. Cada qual estava esperando cerca de 30 mil – que é também o que Guilherme esperava – e agora quinhão deve crescer para mais de 40.
De fora – Osvaldo Coelho deve reunir os amigos na próxima semana para definir quem será seu candidato à Câmara Federal. Levar gente de fora é complicado porque o eleitor de Petrolina é como o de Caruaru: só vota em candidato da terra. Fernando Bezerra Coelho, quando prefeito, levou Eduardo Campos pra lá em 94 e com o apoio da máquina azeitada só conseguiu lhe dar 5 mil votos.
Triste – Mesmo sendo adversário de Guilherme Coelho, o prefeito de Cabrobó, Eudes Caldas (PTB), lamentou a decisão dele de não ser mais candidato porque a região do São Francisco terá menos um representante da Câmara Federal, disse. O irmão de Eudes, Edgar, que foi prefeito três vezes e era eleitor de Osvaldo, foi quem primeiro declarou que não apoiaria Guilherme.
Prejuízo – Quem também ficou no prejuízo com a desistência de Guilherme foi o senador Marco Maciel, que fica sem o único “âncora” do DEM no sertão pernambucano. Maciel disputa eleição com apoio dos “Coelhos” desde que entrou na vida pública em 1966.
Turismo – Izaías Régis (PTB) requereu licença à Assembleia Legislativa de 28 de março a 10 de abril para fazer uma viagem à França e a Portugal, que ninguém é de ferro. O requerimento tem que ser endereçado à mesa diretora sob a justificativa de “licença cultural”.
Cansaço – Pelo menos em torno de um tema Raul Jungmann (PPS) concorda com Ciro Gomes (PSB) de quem já foi colega no PSDB: o modelo de funcionamento da Câmara Federal deve ser urgentemente repensado porque da forma que está é “irracional”. Jungmann já contabiliza 600 vôos a Brasília desde que tomou posse como deputado para uma produção próxima de zero.
Doença – Eduardo Campos aproveita a passagem pelo RJ hoje e amanhã para fazer uma visita ao tio, Carlos Augusto Arraes, o “Gusto”, que fez uma cirurgia nos Estados Unidos e ainda não se recuperou. Dos filhos do seu avô, este é o que tem mais ligação afetiva com sua mãe, Ana Arraes (PSB).
Inofensivo - Antes de convidar Guilherme Robalinho para se candidatar a senador pelo PPS, o presidente Roberto Freire deixou-o à vontade para topar ou não o desafio. Ele decidiu se candidatar após chegar à conclusão de que sua candidatura não atrapalhará Jarbas, nem Marco Maciel nem Sérgio Guerra.
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sábado, 13 de março de 2010
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