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sábado, 26 de setembro de 2009

Lula desiste de fazer de Ciro candidato em São Paulo

A vontade de Ciro Gomes prevaleceu sobre os planos de Lula. O presidente entregou os pontos.

Desistiu de convencer o deputado a disputar o governo de São Paulo.

Antes de viajar para Nova York, onde passou a semana, Lula conversara, pelo telefone, com um dirigente do PSB.

Informado de que Ciro estava mesmo determinado a concorrer ao Planalto, Lula como que jogou a toalha:

“Eu disputei todas as eleições que quis na minha vida. Não tenho o direito de pedir a um companheiro que não dispute”.

O PSB programara-se para reunir sua Executiva no meio da semana.

Deliberaria sobre a transferência do domicílio eleitoral de Ciro –do Ceará para São Paulo.

A reunião foi cancelada. Tornara-se desnecessária. Amigo de Ciro, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) transmitiu à cúpula do tucanato a novidade:

“Ele não vai transferir o título [de eleitor para São Paulo]”. Liberado por Lula e em alta nas pesquisas, Ciro firmou-se como presidenciável.

Nesta sexta (25), discursando para cerca de duas centenas de sindicalistas da Força Sindical, em São Paulo, Ciro declarou:

“Sou candidato pela terceira vez. Um candidato da base do governo”. Nas próximas semanas, dirigentes do PSB vão a Lula.

Pretendem acertar com o presidente regras que permitam a Ciro coabitar com Dilma Rousseff, a número um de Lula, o mesmo guarda-chuva governista.

De antemão, Ciro lança mão da estratégia mais óbvia: desce ao ringue presidencial como algoz de José Serra (PSDB), o favorito nas pesquisas.

Na quinta, em Santa Catarina, delimitara o terreno: “Meu adversário é o passado. E este passado se chama Serra”, ex-ministro de FHC.

Menos de 24 horas depois, no encontro com a turma da Força Sindical, Ciro voltaria à carga: o Serra “é feio pra caramba, mais feio na alma do que no rosto”.

O deputado trocaria seu raciocínio em miúdos: “Ele tem uma truculência ao se relacionar com seus adversários. É uma conduta feia [...]...”

“...É uma atitude destrutiva, que inibe o diálogo. Para mim, horrível. Até minha conta pessoal de salário ele conseguiu que um juiz de São Paulo bloqueasse”.

Evocando os ataques da véspera, Ciro fixou diferenças também em relação a Dilma.

Lembrou que, enquanto fustigava Serra em Florianópolis, a chefe da Casa Civil trocava amabilidades com o rival em São Paulo:

“Ontem, estava eu falando mal do Serra e a Dilma agarrada com ele”. Disse que a ministra mimetiza o estilo “Lulinha paz e amor”.

O dirigente do PSB que conversou com o blog, o mesmo que dialogara com Lula antes de o presidente voar para os EUA, comentou:

“O Ciro precisa controlar a língua. Bater no Serra, tudo bem. Mas as críticas a Dilma foram, além de tolas, desnecessárias”.

Disse que o principal adversário de Ciro não é senão a língua dele. Recordou que, em eleições anteriores, o deputado notabilizara-se pela imoderação verbal.

No cenário esboçado pelo PSB, a multiplicidade de candidatos empurrará a disputa de 2010 para um inevitável segundo turno.

Um segundo round em que o tucano Serra medirá forças com um candidato identificado com a gestão Lula.

Imagina-se que Ciro reúne, hoje, mais condições do que Dilma de firmar-se como o presidenciável da continuidade. O “adversário do passado”, na tradução de Ciro.

“Se nós estivermos certos”, diz o dirigente do PSB, “temos de oferecer ao presidente Lula todas as condições de assumir o Ciro como um candidato dele”.

Escrito por Josias de Souza

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